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Resenha do texto: “Seis pontos centrais sobre o Aborto”- Por Alexander Moreira-Almeida (Gazeta do povo)

Resenha do texto: “Seis pontos centrais sobre o Aborto”- Por Alexander Moreira-Almeida (Gazeta do povo)

Segundo o autor, Alexander Moreira, o debate de temas polêmicos como o aborto costuma despertar “certezas” apaixonadas que são defendidas agressivamente, em vez de uma adequada análise das evidências e argumentos apresentados. E há seis pontos centrais que devem ser considerados quando o tema é o aborto, com base especialmente em pesquisas de qualidade realizadas em países da América Latina, pela similitude sociocultural com o Brasil.

Em primeiro lugar, o debate sobre o aborto não se restringe a uma questão científica ou de saúde pública; trata-se de uma discussão principalmente ética: se temos ou não o direito de eliminar um feto no útero da mãe. Assim como foi fundamentalmente ético o debate público sobre abolição da escravidão no século 19 e o debate atual sobre a pena de morte.

Com isso em mente, chegamos ao segundo ponto: o princípio ético da autonomia da mulher (e do homem) deve ser levado em conta, mas precisa ser contrabalanceado pelos princípios éticos da beneficência e não maleficência (em relação ao feto). A nossa liberdade de ação não é ilimitada; ela deve considerar o impacto que pode ter sobre as pessoas e o mundo em que vivemos.

O terceiro aspecto é o da superestimação de dados. Há fortes indícios de uma estratégia retórica de superestimação do número de abortos clandestinos e de mortalidade materna decorrente desses abortos como justificativas para sua liberação. Pela falta de dados oficiais, é sempre muito arriscado calcular o real número de abortos clandestinos.

Também é preciso perguntar: será que a liberação do aborto reduz a mortalidade materna? Este é o nosso quarto ponto. Os experimentos naturais ocorridos no México (que liberou o aborto em alguns estados em 2007) e no Chile (que proibiu o aborto em 1989) indicam que as mudanças na legislação do aborto (seja proibindo ou liberando) não impactaram as taxas de mortalidade materna. Segundo esses estudos, o que efetivamente diminui a mortalidade materna é a melhora do nível educacional das mães e dos cuidados oferecidos à gestante.

Além disso, há consistentes evidências (de Espanha, EUA, México e Uruguai, por exemplo) de que a liberação do aborto gera um grande aumento no número de abortos realizados nos anos seguintes. Lorde Steel, um dos líderes da legalização do aborto na Inglaterra, embora ainda defendendo essa posição, reconheceu que não havia previsto o grande aumento de casos de aborto e que este seria usado de modo “irresponsável” e “como uma forma de contracepção”, como ele lamenta que tem ocorrido por lá.

Por fim, chegamos ao sexto ponto:ao contrário do que muitas vezes se veicula, a oposição à legalização do aborto não é um confronto entre “homens brancos ricos” e “mulheres negras pobres”. A maioria da população brasileira (80%) é contra a legalização do aborto e apenas 15% são a favor. O apoio à legalização do aborto não chega a 25% em nenhum estrato da população em termos de idade, sexo, renda, escolaridade, religião, cor ou região do país. Temas tão relevantes e valiosos como a saúde, a dignidade feminina e a geração de novas vidas merecem ser tratados com maior rigor, equilíbrio e busca sincera da verdade e do bem comum.

Confira o texto completo em:

https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/seis-pontos-centrais-do-debate-sobre-o-aborto-co41p6vmew0ktzgnl5jri1zqq

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