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Membro do IH Ana Paula Doro defende tese de mestrado sobre o terceiro setor

Membro do IH Ana Paula Doro defende tese de mestrado sobre o terceiro setor

Após a segunda guerra mundial, ocorreram diversas transformações, como a ascensão de novas potências econômicas, a revolução nas comunicações, o crescimento da produtividade nas indústrias e da urbanização e, consequentemente, o aumento de problemas sociais e ambientais, como a pobreza e a degradação ambiental. Diante disso, houve uma expansão das Organizações não Governamentais (as chamadas ONGs) que se constituíram com o objetivo de diminuir os impactos negativos desses acontecimentos.
O crescimento dessas instituições no país foi reforçado na década de 1990, quando foi incentivada uma redução do papel do Estado e a privatização de serviços públicos. De acordo com o IBGE, no ano de 2010, havia 290.692 fundações privadas e associações sem fins lucrativos no Brasil ) e 2.128.007 pessoas empregadas nessas instituições. Por esses dados, percebe-se a importância desse setor no país e a necessidade de se formar profissionais, em todas as áreas, que tenham qualificação para atuar no terceiro setor. O que se verifica, entretanto, é que existem poucos cursos que contribuem para a qualificação da força de trabalho das ONGs.
De forma geral, a universidade formam alunos para atuação em empresas privadas e, em alguns casos, na iniciativa pública, presumindo que as instituições sociais não carecem de mão-de-obra qualificada. Isso pode ser associado ao fato de que elas se utilizam, em grande parte, do serviço voluntário. Ainda assim, é fundamental esclarecer que o voluntariado não deve ser executado de forma amadora, mas sim deve preceder de um bom planejamento e capacitações contínuas. Além disso, tem-se que o número de pessoas contratadas, é bastante expressivo no setor. Um exemplo é a formação em administração que historicamente tem se dirigido para as empresas privadas. A preparação de administradores para atuar na administração pública e no terceiro setor fica, assim, preterida pelas instituições de ensino, pois acredita-se, em muitos casos, que o modelo da administração privada é capaz de aplicar-se às organizações dos demais setores, o que não é uma realidade. As ONGs, por sua vez, têm buscado, cada vez mais, a profissionalização de suas atividades, movidas pela busca pela qualidade de seus serviços e pelas exigências de seus financiadores, sejam eles empresas, governo, agências de cooperação internacional ou até pessoas físicas. Ou seja, os cursos de administração subestimam as possibilidades de inserção de profissionais nesse mercado, bem como a importância social dessa formação.
É possível questionar, dessa forma, a finalidade do ensino. Os jovens devem ser formados exclusivamente para atuar em grandes empresas ou para conquistar bons concursos públicos? Ou por meio de sua formação ele pode ajudar a construir uma sociedade mais justa e inclusiva (por meio do trabalho remunero ou voluntário)? É fundamental, então, que tanto as instituições de ensino como os próprios estudantes enxerguem que por meio de sua profissão eles podem (e devem) contribuir com a diminuição de tantos problemas sociais que vivemos em nosso país.

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